(reproduzido da orelha da obra)

Acredita-se que o homem, por ser dotado de razão, é capaz de conter os instintos e as emoções, avaliando objetivamente as situações e escolhendo, dentre várias alternativas, a que lhe é mais vantajosa. Estudos sobre tomada de decisão conduzidos durante anos pelo psicólogo e Prêmio Nobel em Economia Daniel Kahneman mostraram o quanto essa crença é ilusória e como, na realidade, estamos sempre expostos a influências que podem minar nossa capacidade de julgar e agir com clareza.

Kahneman explica que nossa mente funciona de duas formas: uma rápida e intuitiva e outra mais devagar, porém mais lógica e deliberativa. Se a primeira forma controla a atividade cognitiva automática e involuntária, a segunda entra em jogo quando temos de executar tarefas que demandam concentração e autocontrole. Essa organização nos permite desenvolver competências e habilidades sofisticadas e realizar tarefas complexas com relativa facilidade. Mas também pode ser uma fonte de erros sistemáticos, quando a intuição se deixa influenciar por estereótipos e outros fatores e a reflexão é preguiçosa demais para corrigi-los.

As questões colocadas pelo autor se revelam muitas vezes inquietantes: é verdade que o sucesso de um investidor é completamente aleatório e que sua habilidade no mercado financeiro é apenas uma ilusão? Por que o medo de perder é mais forte do que o prazer de ganhar? Por que assumimos que uma pessoa mais bonita será mais competente? Ao responder a essas e a outras perguntas, Kahneman desenha um mapa do nosso modo de pensar e oferece métodos para combater os erros que cometemos de modo inconsciente e para melhor aplicar a nossa capacidade de raciocínio analítico.

O livro apresenta uma visão inovadora sobre como nossa mente funciona e como tomamos decisões.

Que tal exercitarmos a nossa concentração? O exercício é simples: você deverá ler, no quadro abaixo, o nome da cor em que foi escrita cada palavra. Vamos ver qual será o seu desempenho?

Você se sentiu confuso? Normal. O que acontece é mais ou menos uma disputa entre a sua racionalidade e a sua criatividade. Tente novamente, mais concentrado, mais devagar. Conseguir vencer um desafio pode requerer treino.

 

O PERDÃO ACONTECE QUANDO HÁ COMPREENSÃO

Por Silvana Macedo

Você sabia que suas questões mal resolvidas são tão impactantes que podem ser absorvidas e revividas por seus descendentes? Como assim? Acompanhe a história a seguir.

Sr. Osvaldo, 95 anos, e D. Antonieta, 92, foram casados durante 72 anos. Entretanto viveram um grande desafio. Por alguma razão, estavam há mais ou menos 55 anos dormindo separados e sem se falar, embora vivessem na mesma casa. O curioso, é que nunca tomaram a iniciativa de resolver a situação ou se separar definitivamente, tendo em vista o sofrimento, tristeza e solidão que experimentavam.    

Ao ser indagado, o sr. Osvaldo afirmou que sua vida foi muito infeliz, e não desejava isso para ninguém, pois, segundo ele, tal situação “ninguém merece”. Diante disso, no embalo dessa afirmação, ele foi desafiado a pensar sobre o seguinte:

- Como ressoa dentro de você a possibilidade de seus filhos, netos ou bisnetos repetirem esse tipo de vida? Ele, de maneira muito lúcida, rapidamente respondeu: - É claro que não! Mas como assim, eles repetirem os nossos problemas?

- É seu Osvaldo, se não for resolvida essa questão agora, com sua esposa, se não houver perdão e compreensão, alguns dos seus descendentes, por amor e inconscientemente, podem acessar essa “carga” para eles e repetir todo sofrimento, embora em outro contexto. Talvez o que o Sr. esteja vivendo agora, possa até ser algo que vem se arrastando de seus ancestrais e que ainda não tenha sido resolvido.

Ao saber disso, ele resolveu, rapidamente, interromper esse padrão e solucionar esse desconforto causado por essa “guerra” no lar. Falando em guerra, por coincidência seu avô foi refugiado de guerra. Pulou dentro do navio e veio para o Brasil sozinho. Eis a questão: não estaria ele, em seu próprio casamento, representando essa dor da guerra, através das desavenças, solidão e tristeza que esse seu ente querido viveu? Cabe salientar que, esse processo, é inconsciente e contém muito amor nesse movimento.

Certo dia, ao se levantar, sua esposa já estava na cozinha tomando café, então seu Osvaldo pensou: - É AGORA!  Com o coração acelerado, querendo desistir, mas, ao lembrar que essa “cura” levaria benefícios para muito além dele, prosseguiu com a abordagem:

  • Reconheceu o papel importante que sua esposa teve para lhe dar oito maravilhosos filhos, 12 netos e três bisnetos.
  • Agradeceu por todo tempo que viveram juntos, mesmo nas condições em que viveram. Reconheceu o quanto ele cresceu e se desenvolveu pela simples presença dela.
  • Elogiou tudo o que podia ver de bom que ela tinha feito;
  • Pediu perdão por ter demorado tanto a tomar coragem para essa iniciativa e, também, por todos os momentos em que não foi presente como deveria ter sido. 

Choraram muito e após esse dia, os dois se tornaram grandes amigos e companheiros, usufruindo de um casamento extremamente feliz. Passavam noites sentados na cama, conversando, se curtindo, como que recuperando todo o tempo perdido.

Após dois anos, D. Antonieta faleceu. Contudo, a compreensão e o perdão já tinham se estabelecido na relação e ela pode partir em paz. 

Uma consequência bem importante e ao mesmo tempo intrigante que surgiu após a reconciliação, foi que os filhos e netos passaram a desfrutar de muita prosperidade. Negócios antes que pareciam travados, começaram a fluir, e muitas outras oportunidades surgiram. Seriam esses resultados consequência da resolução familiar? 

 

COMO A CIÊNCIA EXPLICA?

Qual a razão de os filhos prosperarem após a reconciliação do casal? De que forma os descendentes absorvem as “cargas” mal resolvidas dos seus ancestrais representando-os em seu cotidiano?

Frijot Capra, físico e teórico de sistemas, apresenta em suas obras que o início da formação do ser se deu há mais ou menos de 3,5 bilhões de anos, proveniente de um complexo molecular e que deu origem ao ser unicelular e, a partir daí se formaram seres mais complexos e completos. E esse processo não para, pois a evolução é constante.

E na forma de matéria, toda célula ou corpo, só reconhece informações provenientes da interação com o meio externo, em forma de impulsos elétricos.

Que informações são essas? Toda experiência, aprendizados, padrões de autopreservação e segurança para manutenção da espécie que foram adquiridos ao longo de toda existência.

Em relação aos impulsos elétricos, quando há uma sequência desses impulsos, forma-se um “campo eletromagnético”. Portanto, todas as informações intercambiadas entre o ser e o meio externo ficam armazenadas nesse campo e vão sendo transformadas conforme a experiência do indivíduo.

Amit Goswami, importante físico da atualidade, revela em uma de suas obras que a energia não acaba, apenas se transforma. Com isso, mesmo que haja a morte física de um indivíduo as informações resultantes de suas experiências, não acabam, apenas se transformam e se perpetuam.

Importante agregar aqui a visão de Jung, grande estudioso da psicologia. Ele define que a mente, também denominada em suas obras como alma, ou espírito, contempla duas partes:

  • Consciente: essa parte que está acessível, que é possível ver, ouvir, sentir, cheirar, perceber e também o que se pode perceber através dos comportamentos. 
  • Inconsciente: ele apresenta o inconsciente de duas maneiras, o individual e o coletivo. No coletivo é que estão as informações herdadas dos seus ancestrais. Aqui pode conter talentos, habilidades, formas específicas de cada um, hábitos, crenças, valores e, inclusive, todas as informações automatizadas de autopreservação e segurança dos seus antepassados.

 

CONECTANDO OS PONTOS

Ao avaliar esses estudos, faz sentido dizer que, se alguém se desenvolve, cresce, evolui não estará fazendo apenas por si, mas contribuindo com muito mais pessoas que estão ligadas de alguma maneira consigo? Afinal as informações ficam no campo.

Faz sentido dizer que aprimorar sua habilidade, sua maneira de produzir resultados, criar um modelo mais construtivo e produtivo para sua vida, criar um modelo e uma visão que promova mais felicidade, construir um modelo de família feliz, unida e harmônica, se constituirá numa importante herança a ser deixada para seus descendentes?

Faz sentido dizer que se alguém deseja o bem ou o mal a outro está de alguma forma, criando também para si próprio em seu mundo mental?

No livro A teia da Vida, de Capra, ele revela que tudo o que se faz, gera um impacto reativo das ações que, consequentemente, se forem atitudes positivas, retorno positivo, atitudes negativas, retorno negativo.

E quando são informações negativas criadas no campo, a energia fica densa e gerando desequilíbrios, e, de acordo com as teorias de que todos estão interconectados, um desequilibrado gera desequilíbrio no todo.

Qualquer mudança de atitude que se faça em sua própria vida, impacta a todos positiva ou negativamente, por meio dessa teia de informações no campo energético, onde todos estão em conexão, e, considerando o caso do querido casal, com a mudança da atitude do seu Osvaldo foi possível compreender o porquê de até os seus descendentes se beneficiarem da resolução familiar.

DICAS VALIOSAS

Se você deseja deixar uma valiosa herança para seus descendentes é importante salientar a importância de sempre avaliar a sua conduta diante das pessoas, das adversidades, da vida em si e se aprimorar para manifestar sua melhor versão, pois este será o modelo que estará à disposição e, possivelmente será seguido.

Quando aparecerem pessoas difíceis na sua vida, importante lembrar que semelhante atrai semelhante, se estão em sua vida tem um porquê e considerar que elas são apenas instrumentos para colocar você em contato com suas próprias experiências que são reflexos do seu inconsciente.

O ser só cresce em contato com outros. E são nos relacionamentos, tanto familiares, como as amizades e relacionamentos amorosos que estão as oportunidades para se auto avaliar e se melhorar.

Por conta da necessidade de o indivíduo entrar em equilíbrio, importante considerar que tudo o que você deseja é importante abrir o campo primeiro. Se quer amor, importante amar primeiro, se deseja respeito, respeitar primeiro, se deseja prosperar, encontrar uma forma de ajudar os outros a prosperarem e como consequência você será bem-sucedido.

Se tem pendências com outras pessoas, questões mal resolvidas, importante solucionar para deixar o campo limpo para quem vem a seguir.

Se você está ofendido com alguém, importante considerar que a ofensa tem a ver não com o que foi feito, mas com o que está dentro de você. Resolvido isso, o objeto da ofensa perde importância.

É muito simples ser feliz, basta abrir o campo para a felicidade... o primeiro passo é a busca da compreensão de si mesmo. Isso abre oportunidade para se perdoar e perdoar aos outros.

* Silvana Macedo é Educadora e Consultora em PNL, com ênfase em Comunicação, Vendas e Liderança.

COINCIDÊNCIA É A FORMA DE DEUS SE MANTER ANÔNIMO. (A. Einstein)                 

Por Vânia Lucia Slaviero

O que é Intuição? Você se acha uma pessoa intuitiva? Intuição é faculdade de pessoas privilegiadas?

Qual o sentido da intuição? Para que serve? De onde ela vem? Intuição e sincronicidade tem ligação?

Perguntas muito antigas e muito recentes ao mesmo tempo.

Palavras que fazem parte de nosso dia a dia e que muitas vezes ficamos sem resposta. Sincronicidade existe? O psiquiatra Jung dizia “que o universo é indivisível e que tudo nele é interligado por um tipo de vibração.”

Dr. Paul MacLaen, da Universidade de Harvard, estudioso da evolução cerebral humana, mostra que o Ser humano traz em sua memória a evolução desde o início dos tempos: o cérebro reptilíneo – límbico – néo córtex e o pré- frontal, armazenam toda a história da humanidade e podemos acessá-la.

E quando nos relacionamos com o mundo interno e externo estamos fazendo conexões aparentes e também ocultas, que ficam no plano do subconsciente, acessando informações das mais diversas. O que se processa dentro de nós (plano psíquico) tem estrita relação com que acontece fora (plano físico), embora o pensamento racional insista em fazer a divisão.

Nossa mente dual ocidental, busca fazer desconexões – como se o outro estivesse fora, muito longe. Como se, de alguma forma, não me afetasse o que o outro sente. Faço de conta que não tenho nenhuma ligação. O Físico renomado mundialmente F. Capra fala da Teia da Vida. Como um radar, o subconsciente capta todos os movimentos que constituem esta teia vibracional. O momento em que a razão está menos ativa, bolhas de informação surgem. Ex: no sono, meditação, relaxamento. Assim vem as informações para o consciente, revelando sinais importantes, auxiliando a compreender a realidade de forma mais ampla e abrangente.

Talvez alguém já tenha experimentado o seguinte – quando foi dormir estava preocupado com uma determinada situação e ao acordar, veio uma intuição do que devia fazer. Ou quando após a pessoa relaxar ou meditar durante uns minutos, percebe em sua intuição uma direção assertiva.

Outra questão importante de ser analisada são as coincidências da vida. Einstein dizia que “coincidência é a forma de Deus se manter anônimo”. Um físico que era ateu e que diz que ao mergulhar cada vez mais profundo na ciência encontra Deus. Curioso ver a ciência falando desta Presença que não está fora e sim dentro de cada um e que se manifesta pela Consciência.

O Livro mais antigo da humanidade no Oriente (Os Vedas) dizia que somos apenas células de um grande corpo: Deus (Brahman) e que estamos todos interligados e podemos sentir uns aos outros porque Somos Um. Nunca estas palavras e frases estiveram tanto na boca das pessoas. Quase um modismo falar “Somos Um”. – Porque? O físico Amit Goswami diz que neste novo momento do Universo estamos tendo o despertar da Consciência de que o que acontece no mundo material é apenas consequência das nossas intenções mais sutis.

Se tudo está interligado e conectado como a física tem comprovado, desde casais que vivem juntos há mais de 30 anos e que ao serem afastados, monitorados por cientistas, quando um pensa algo o outro sente imediatamente. Quando um vê uma imagem na tela do computador aciona o mesmo campo cerebral do outro que está a milhares de quilômetros de distância. O nome deste fenômeno é “entrelaçamento quântico”. Estamos interligados e a ciência não tem mais dúvida sobre isto.

As mães sabem perfeitamente que quando um filho sente algo, por mais distante que esteja, ela sente também. Enfim, se estamos conectados, a grande pergunta é: - Será que quando penso em alguém que há muitos anos eu não via, e ao sair na rua encontro com esta pessoa... Uau... é coincidência? Ou – Quando penso em alguém e de repente ele me liga. – É coincidência?

Fritjof Capra escreve sobre as conexões ocultas, onde estamos ligados e interconectados a todo momento... conversando sutilmente. Estamos nos relacionando por vias muito sutis com tudo e todos ao nosso redor e muito longe de nós – com o Cosmos. Quando pensamos desta forma, muda o significado da vida.

O convite agora é: Dê significado às coincidências - Mude a pergunta.

Perde-se a força da sincronicidade quando invadimos com excesso de raciocínio. Tentar entender “tudo” com a mente racional e lógica fará com que nos distanciemos da preciosidade da vida.

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.” W. Shakespeare

  • Mude a pergunta - "Por quê?"  para a pergunta: - “Para quê?“

O “porque” busca entender o que já passou e muitas vezes não temos a resposta lógica e precisa. Então fechamos a mente sem resposta, deixando para lá o que pode vir na sequência. O “para que” nos faz ficarmos atentos às possíveis ligações que esse evento possa ter, e com o que está por vir.

A pessoa que está conectada pode estar caminhando pela rua de sempre e uma INTUIÇÃO  sinaliza: – Vire nesta rua. Se ela seguir a intuição, poderá - Ex: evitar ser assaltada... ou poderá ajudar alguém que está nesta outra rua precisando de ajuda... ou poderá encontrar alguém especial.

Um mundo de infinitas possibilidades se abre para quem está conectado e aberto. Para afinar o instrumento da Intuição é necessário um passo importantíssimo: O Autoconhecimento. Quanto mais me autoconheço mais perspicaz fica minha intuição. -Quem sou eu... de onde vim... para onde vou... meus objetivos... minhas escolhas a cada momento... meu foco... onde está minha razão... onde está meu sentir... meu coração.

Um bom exercício é: observar pensamentos e sentimentos. Usar técnicas de limpeza, reprogramação e harmonização. Praticar esportes, caminhar, movimentar-se com consciência. Meditar da forma que lhe for mais útil... aprender a silenciar. A arte também traz a proposta do autoconhecimento pela expressão.

Experimente diferentes trajetos, dialogue, visite lugares novos. O "sentido sincronizador" fica mais apurado quando nos distanciamos dos hábitos diários, mecânicos e repetitivos, pois passamos a utilizar mais o instinto e a intuição para nos orientar. Explore-se cada vez mais e um mundo se desvendará.

Dica: Quando for dormir, pense em algo que queira resolver e lance uma pergunta clara para a mente resolver com sabedoria. Mantenha a mente focada na busca da solução. Depois relaxe respirando serenamente, até dormir. Coloque-se em estado adequado. Durante o sono a mente irá em busca de informações dentro de seus arquivos e conexões. Ao acordar sente-se, espreguice-se e lance a pergunta novamente como se já soubesse a direção... fique atento aos sinais, a intuição. É surpreendente. Repita várias vezes.

O bom resultado vêm com a repetição do exercício. Este é um treino dentro da Programação Neurolinguística PNL.

Hoje o coração é reconhecido como o terceiro cérebro. Ele também pensa e sente. Portanto, está na hora de integrar: Pensar – Sentir e Agir de forma congruente. Isto é sabedoria. Seja mestre de si mesmo, ouça sua intuição e viva cada vez mais “De Bem com a Vida”.

* Vânia Lúcia Slaviero é Pedagoga, Escritora, Consultora e Trainer em PNL, Yoga, Neurociência com ênfase em Qualidade de Vida.

Por Dr. Luiz Nicolodi

Diante da nossa vida, quando os sintomas nos arrebatam, quando catástrofes acontecem, quando passamos por momentos em que os pensamentos, nossas emoções e valores são questionados e até mesmo levados pelo vulcão de acontecimentos, sofremos. Sofremos, pois algo difícil e que não queríamos, conscientemente, aconteceu. Porém, podemos refletir se não são justamente nesses momentos em que mais crescemos como seres humanos.

Tentamos fazer do nosso mundo algo conhecido, racional, previsível, programado, sob nosso controle. Cultivamos a crença de que temos controle sobre os acontecimentos da nossa vida. Investimos nossa energia, tempo e dedicação para manter essa zona de conforto estável, da forma como nossa racionalidade nos fala que é bom. Ao manter o perfeccionismo e o controle sob ação, um lado medroso e assustador começa a crescer dentro da nossa Alma, o medo de perder esse controle, o medo de falhar e de as coisas não saírem da forma como planejamos.  Se nossa resistência a aceitar que na realidade não temos controle algum sobre as circunstâncias da vida se mantiver, por vezes coisas mais difíceis podem se deflagrar para nos provar que não temos como levar uma vida programada e robotizada.

A atitude da expansão da consciência começa quando nos permitimos olhar para nosso lado medroso, inseguro, por vezes, sombrio. Não se trata de se afundar em um processo depressivo, mas antes de dialogar e olhar, reconhecer que todos temos nosso lado sombrio. Como Jung explorou na sua obra, todos temos lados luminosos e sombrios. E a força da Sombra se amplia quando nos identificamos unicamente com o lado luminoso, quando alimentamos a ilusão de que somos perfeitos, que não fazemos nada de errado e que somos certos e bons. Ao ser extremista, dessa forma, inconscientemente a Sombra se amplia dentro de nós, até o momento em que precisa ser vista, mesmo que seja de maneira intensa, e muitas vezes devastadora para nosso Ego frágil.

Se nos permitirmos olhar para nossa Sombra, no nosso inconsciente, de uma forma não julgadora, até mesmo curiosa, entraremos em contato com todo esse lado sombrio e mal trabalhado. Poderemos dialogar com esses personagens que nos influenciam de maneira impulsiva, levando mais consciência e permitindo insights e ampliação da nossa percepção sobre nós mesmos. Os complexos emocionais se tornarão visíveis e menos automáticos e poderosos sobre nosso ego.

Por vezes esse processo é suave, por vezes intenso e doloroso. O importante é tirar dele o aprendizado essencial. Para que possamos extrair o essencial devemos estar atentos e alertas de uma forma aberta e ampla, permitindo a revelação dos movimentos da nossa Alma, em camadas superficiais e profundas. Quando nos colocamos nessa postura interna, entramos em ressonância com o Universo, se ficarmos atentos, teremos todas as indicações do próximo passo no nosso caminho espiritual.

Portanto, não fuja de seus sintomas, não faça de conta que os pensamentos não estejam ali, não negue suas emoções. Ao negar eles se tornam mais densos e influenciam mais nossa percepção. O primeiro passo é reconhecer e aceitar, permitir se manifestarem. O segundo passo é dialogar com esses atores, sem estar identificados com os mesmos, é olha-los de forma mais distante, deixando que sejam como forem, porém, olhando de uma forma aberta e menos identificada. O terceiro passo é a realização de que eram apenas pensamentos, emoções, atores temporários, que cumprem uma missão e nos fazem expandir e olhar fragilidades que não éramos capazes de olharmos sozinhos. O quarto passo é a reintegração de todos esses personagens na consciência, permitindo uma transformação psíquica no próprio ego, expandindo as fronteiras do mesmo, e realizando a visão da realidade de uma forma mais ampla e espaçosa.

Como sabemos, essa é uma Obra, uma Obra de transformação, em que podemos abandonar zonas de conforto, conviver com o incômodo, e no fim nos tornar seres humanos mais resilientes e amorosos conosco e com os demais. Deixar estar, deixar ser, fluir, sem medo, sem programação, sem apego ou aversão, assim nosso potencial humano pode vir à tona e podemos ter uma existência mais plena e significativa. Que tal?

* Dr. Luiz Fernando Nicolodi é diretor na Clínica Maha e médico da família. Trata o paciente a partir de uma perspectiva integral, ou seja, o indivíduo passa por uma análise nos níveis físico e mental.

FACEBOOK
Programa Conexão Moderna