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AS BOLAS DE
NATAL E AS
ESCADAS SEM
DEGRAUS

Por Tatiana Paranaguá

Eis aquela época do ano em que desprevenidos entramos em um estabelecimento comercial para comprar pilhas, biscoito - ou outra sorte de coisas – e de repente somos surpreendidos por um brilho que se insinua pela fresta de uma caixa que está sendo levada para o estoque! Apertamos os olhos, como se não acreditássemos no que vemos, mais eis que as nossas suspeitas se confirmam e a exclamação é inevitável: Mas já! É isso mesmo, são bolas de natal, o ano está acabando, de novo. Com essa constatação começa a temporada de avaliações: O que eu fiz com meu ano? Ou melhor: o que fiz com meu tempo? Para afastar esse pensamento incômodo, acionamos o lado esquerdo do cérebro e nos ocupamos das coisas que temos para executar, afinal ainda falta algum tempo, e sabemos como o comércio se antecipa cada vez mais a cada ano. Pode até ser que a estratégia de se refugiar nos afazeres do dia a dia seja eficiente por alguns dias, mas eis que cada vez mais aquelas bolas começam a sair das caixas aos milhares, e a cada passo que você dá já é Natal, e uma semana depois do Natal você sabe, vem o Ano Novo. 
É quase impossível se esquivar do impulso de autoavaliação do que foi feito e do que deixou de ser feito. A procrastinação do mais um mês segue sua soma até totalizar doze, mais um ano em que talvez as coisas não tenham sido feitas ou saído da forma desejada. É certo que a vida surpreende, porém não nos consolemos com isso, pois os eventos inevitáveis do destino são relativamente poucos quando comparados àqueles nos quais uma atitude efetiva teria feito toda a diferença. Mas ainda assim tentamos responsabilizar outras pessoas, situações, conjunturas... Ou arquitetamos um eficiente esquema de auto sabotagem estabelecendo objetivos extremamente elevados sem incluir no projeto os degraus da escada.
Chegamos ao terceiro parágrafo do artigo! Seria o momento ideal para iniciar as dicas gerais revolucionárias de como levar adiante os objetivos e metas estabelecidos para o Ano Novo respaldada pelo meu saber de psicóloga clínica. Geralmente é o que me pedem em diversos meios, mas hoje quero fazer diferente, pois sei que há lugar nessa revista para tratar de coisas mais profundas.
Trago então a questão: Os seus objetivos são realmente os seus objetivos? É a mais pertinente das perguntas, pois muitas vezes os nossos objetivos não são estabelecidos de dentro para fora, a partir de uma verdade interior, mas de uma pseudoverdade que insistimos em tomar como nossa, por falta de autoconhecimento e confiança em quem realmente somos e queremos ser. Mídias sociais que ditam o que é ser um ser humano pleno, tradições familiares, necessidade de provar a quem quer que seja que a nossa vida vale a pena, criam a ilusão de que queremos e desejamos muitas coisas, quando na verdade não se trata de um querer legítimo. É algo parecido com uma campanha de marketing que nos faz acreditar que precisamos comprar produtos dos quais não necessitamos. Quanto mais frágeis e desconectados estivermos de nossa essência, mais vulneráveis estaremos a esse catálogo de objetivos pré-fabricados. Mas depois de comprá-los resta apenas o vazio e um impulso que não se sustenta. No fundo sabemos que mesmo alcançando-os não teremos o que almejamos: Amar. Simplesmente amar, aos outros e a nós mesmos. Falar de amor parece algo tão distante que não me surpreenderá o fato de algum leitor “travar” ao se deparar com essa palavra. Muitos objetivos não possuem amor em suas bases, é muito frequente que grandes projetos sejam impulsionados na verdade por medo, rancor, inveja, orgulho mágoa e baixa autoestima. São como carros movidos a combustíveis tóxicos, eles avançam, mas ao mesmo tempo tiram a saúde do motorista e de quem mais estiver por perto.
Antes de estabelecer as metas de 2020 devemos nos perguntar sinceramente se elas nos aproximarão de nós mesmos, da nossa essência primordial.
Caminhar rumo a quem somos e descobrir a que viemos é o grande objetivo e aventura da vida, quando vislumbramos essa verdade ainda que de forma tênue, temos condições de ativar as qualidades que levam e elevam um ser a ser verdadeiramente humano: firmeza, Constância, Força de Vontade, Resistência, Coragem, Disposição, Alegria e Esperança.
Desejo sinceramente que as bolas de natal, pisca-piscas e fogos de artifício não ofusquem e sim iluminem nossos firmes degraus rumo às vitórias verdadeiras em 2020!
 

 

 

 Tatiana B. Carvalho de Paranaguá. Professora de psicologia
da PUC-Rio, Diretora da clínica e escola de Psicologia Analítica
Centro Junguiando.  Consultora e Palestrante.

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